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domingo, 21 de janeiro de 2018

Um pedaço da adolescência se foi

Dolores era dona de uma voz e uma capacidade de transmitir os sentimentos como poucos artistas que conheci. Pouca gente é capaz de transportar o receptor para os seus lugares de origem fazendo-lhe sentir as características daquele local. Os The Cranberries, sem dúvidas, era uma dessas bandas capazes de fazer sentir um tipo de sentimento universal, ainda que apreendidos por pessoas distintas.
A sua doçura, o seu jeito meio desengonçado de dançar, os seus traços faciais, as suas expressões etc., fizeram dela uma das figuras mais icônicas para uma geração inteira.

A cultura pop tem dessas coisas. Ela é capaz de falar pelo todo, de expressar o sentimento geral que aquele evento ou celebridade construiu.

Esse, talvez, seja um dos grandes encantos da vida, quando encontramos pessoas que também foram tocadas por um sentimento comum à época.

O meu contato com essa voz marcante foi, provavelmente, igual ao de milhares de outras pessoas mundo à fora. Suas músicas e, especialmente, o tom adocicado da sua voz, parecia grudar nos meus sensores de modo difícil descolar-se dela. A vontade de ouvir mais e mais se tornou muito presente ao longo dos anos, de modo que as suas canções fizessem parte dos diferentes momentos da vida.

domingo, 11 de outubro de 2015

Nem o óculos do John e nem o olhar do Paul

Creio que uma vida sem música deve ser parecido com um prato de comida sem tempero, sem cor, sem conquista visual. Noutras palavras, significa dizer que você come pra nutrir as células, mas o sentido se perde na fria funcionalidade instintiva que necessitamos à sobrevivência.

Foto histórica. Linda, Paul e Gilmour.
Pra alguém que nasceu na década de 80, e com irmãs mais velhas, a música sempre esteve presente na minha vida. Naquele finzinho de década havia grande euforia produzida elas rádios que produziam os sucessos do momento e os de sempre.

Por algum motivo, talvez influencia de casa, o rock passou a ser o meu estilo musical preferido diante dos demais. Não é intolerância com os demais gêneros, é que, ao que parece, a minha atenção é bastante limitada. Até ouço e gosto de outros estilos musicais, contudo, é rock´n roll que faz a minha cabeça.

domingo, 27 de setembro de 2015

Nostalgias e bandinhas

O ano de 2008 foi um ano em que a internet me apresentou uma série de novas bandas que jamais havia tido a oportunidade de conhecer. Nessas alturas, a internet já chegava a um relativo nível de popularização e os programas que baixavam música (as mp3) eram a nova roda da humanidade proporcionada pela rede. Se você se identificou com esse período histórico certamente lembrará do “emule”, cuja identidade gráfica era, é claro, uma mula marrom.

Noites a dentro aqueles balõezinhos ficavam enchendo aumentando a nossa expectativa com uma música já conhecida, ou uma nova banda\artista por conhecer. A sensação de alegria ao ver o balão verde indicava que o download estava terminado. Pronto, agora era só clicar e ouvir a tua música. Ter muitas mp3 era um tipo de status nas redes sociais e compartilha-las era um ato de solidariedade. Três, quatro, dez mil ou mais músicas, faziam das nossas bibliotecas musicais um artigo de luxo e despendia muito zelo e cuidado.

Neste cenário, fui apresentado a uma bandinha gaúcha a qual imediatamente meu gosto musical se identificou. Chamava-se superguidis e o emule foi a ponte entre as músicas e as minhas sensações sonoras.