Fotografia ou video? Cinema o teatro? Livro ou filme? MMA ou boxe?
Nós, indivíduos falíveis, temos a necessidade inerente de
classificar gostos e coisas de modo a torna-las, quase sempre, roteiros
efêmeros. Ocorre que, cognitivamente, a nossa forma de elaborar e apurar as
nossas afeições rotineiramente se constroem a partir destes métodos, estejamos
ou não atentos sobre eles.
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Pôr do sol da usina do gasômetro em Porto Alegre |
Recentemente, quando comecei a me dedicar à literatura
cinematográfica, me dei conta de uma dessas polarizações tão comuns entre os
gêneros das coisas. Em que pese a minha recente adesão a teoria do cinema, me
pareceu, a priori, uma grande injustiça classifica-lo como arte rude se
comparado ao teatro. Claro que esta comparação tem um vigor diferente quando se
trata dos primórdios do cinema, mas, mesmo assim, me parece injusto.
Dia desses, estava escutando uma entrevista muito
interessante com um músico muito interessante. Disse ele: “ não gosto de
cinema! Colocam você numa sala, agora com óculos 3D, com um som ensurdecedor
numa tela enorme e quando você chora eles ainda dizem que te fizeram ficar
emocionado”. Pensei naquilo durante dias e, mesmo assim, não consegui sequer
por um momento cogitar que aquilo poderia fazer sentido.