quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Corinthians campeão mundial e o fim do mundo.


Toda roda de conversa nos diversos cantos do país é incrementada pela piadinha do fim do mundo em dezembro. Daqui a alguns dias, diga-se. Os planos futuros começam a levar em conta que o que pode ser feito deve levar em conta que, ao encerrar-se a vida terrena, cessam-se também as demandas cotidianas e consequentemente os seus problemas.

Imbróglios a parte e levando a sério o possível fim do mundo, não posso deixar de falar sobre o título mundial, merecidamente conquistado, pelos gambás corintianos. Foi duro vê-los conquistar a América, bem como foi amargo vê-los campeões mundiais. Jogaram para o gasto ao longo das duas competições, tomando poucos gols e com uma estratégia quase militar de marcação onde todos se entregavam e diminuíam os espaços do adversário.

O título do Corinthians remonta a velha polêmica entre futebol arte - aquele vistoso, bem jogado e grandes lances, versus futebol “feio” - bem dinâmico, com pouco espaço e muito objetivo. Eu discordo, em termos, da tese de que existe uma filosofia desenvolvida para o futebol arte bem como uma filosofia para o futebol “feio”. Acho apenas que os treinadores trabalham com a mão-de-obra que tem e são extremamente sagazes em explorar o potencial dos atletas que dispõe.

domingo, 9 de dezembro de 2012

O achatamento das forças produtivas, o advento da crise e o fim do mundo.


A quebra do subprime estadunidense revelou não apenas um limite diante de relações financeiras arriscadas, mas também o encurtamento de medidas dos consultores de Wall Street para “otimizar” o sistema da livre concorrência. A necessidade feroz dos donos do capital de manterem sua taxa media de lucros, combinada com uma importante ascensão das forças produtivas através das novas tecnologias resultou um produto perigoso. Essa formulação não aponta nada muito novo, até então, do ponto de vista da denuncia das mazelas sofridas pelas massas trabalhadoras cada vez mais solapadas do seu único bem, a força de trabalho.

O avanço do capital, ao contrário das teses academicistas de alguns simpatizantes com as idéias das esquerdas, não se reorganiza. Muito menos se reorganiza de forma produtiva. As teses de Lênin sobre a fase imperialista do capitalismo mais do que nunca se apresentam atuais. Essa engrenagem milimetricamente arquitetada se transforma em um castelo de cartas vulnerável a um simples assopro. É o que estamos assistindo nos governos da zona do euro após maquiarem as suas metas de investimento para poder acessar as benesses deste livre comércio.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Direto das catacumbas da luta de classes

Sinceramente eu não esperava vivenciar algo semelhante ao ocorrido na última “assembleia” do Bacharelado Interdisciplinar de Humanidades na nossa querida UFBa. Fui tomado por um sentimento de revolta após assistir a uma “assembleia” (des)organizada pela antiga gestão do C.A. e ouvi-los dizer que a entidade não tem estatuto. Isso foi o cumulo da picaretagem. Sem contar os prazos estabelecidos pela mesma "coordenação" para a “eleição” da nova direção da entidade.

Era visível o constrangimento dos "acadêmicos" (termo pejorativo a ex-membros do Movimento Estudantil a exemplo do grupo da antiga gestão) ao final da “assembleia”, bem como era visível a incerteza do que irá acontecer daqui pra frente. A atitude golpista desses senhores tem levado o movimento estudantil dos BI´s ao fundo todo poço. Mas, o que mais impressiona é o sentimento de impunidade que leva um grupo de pessoas a acreditar que podem fazer qualquer outra pessoa acreditar que o azul é verde e vice-versa.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Cinco anos de invasão da PF à reitoria da UFBa

Em 2007, após um consuni tumultuado, Naomar aprovou o REUNI.

Na semana passada completou-se cinco anos da invasão pela polícia federal a reitoria da UFBa para dispersar a ocupação. Naomar errou feio. Fruto de uma profunda falta de habilidade do corpo dirigente do seu grupo. Errou porque a própria ocupação já estava fadada ao fracasso e a invasão da PF apenas fortaleceu o sentimento de oposição à sua gestão.

Enfim, imperícias e barbeiragens a parte, o M.E. baiano sempre formou muitos dos melhores quadros da política nacional. Muitos diretores da UNE, de executivas de curso, enfim, militantes destacados. Alguns, hoje, compõem diversas esferas de governos municipais, estaduais e até federal. Não que isso seja pré-requisito de abono da capacidade alheia, mas demonstra um pouco da tradição desta terra militante.

domingo, 18 de novembro de 2012

Como o mundo explica a política.*


Por Diego Rabelo**

A política esta presente cotidianamente nas nossas vidas. É quase imperceptível, mas o simples ato de fazer escolhas entre canais de TV com o controle remoto na mão se torna um exercício político. Nos deparamos com essas decisões tão comuns a todo o tempo e, a maioria das vezes, é muito difícil se dar conta.

Os esportes sempre foram sinônimos de muita disputa não só dentro dos seus devidos recintos, mas também expressam de forma organizativa o comportamento das sociedades. A hegemonia econômica e militar norte-americana ao longo dos anos também se demonstrou nas piscinas, nas quadras, nos campos e nas pistas de atletismo. A predominância do mundo capitalista sobre os seus rivais ficou nitidamente exposta nas seguidas olimpíadas desde o mundo bipolar.

A relação da política com o esporte não é um tema genuinamente novo, mas continua despertando a curiosidade de estudiosos sejam eles acadêmicos ou autodidatas. Não esqueço um texto que li há alguns anos atrás sobre a rivalidade entre dois times italianos, o Livorno (de esquerda) e a Lazio (fascista). Aquilo me despertou um sentimento de pertencimento diferente de qualquer outra coisa que havia vivido na minha militância.